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Brasil: recolha de latas transforma-se em donativos para a Fundação AIS
Um herói discreto
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André Silvestre palmilha todos os dias dezenas de quilómetros para apoiar os Cristãos perseguidos no mundo. Todos os dias, recolhe latas de refrigerante e tampinhas de garrafa para serem recicladas. É com esse dinheiro que ele apoia a missão da Fundação AIS, mas também a compra de alimentos para os idosos da sua cidade. Uma história inspiradora que nos chega do Brasil…

 

Entre os cerca de 347 mil benfeitores da Fundação AIS, cujo dia se celebrou a 24 de Junho, há um especial. Vive no Brasil, em Caçapava, um município de São Paulo, e todos os dias faz quilómetros a pé ou de bicicleta para recolher tampinhas de plástico e latas de bebida que depois consegue transformar em comida para um lar local. Quase parece uma versão moderna da história da multiplicação dos pães, sendo que aqui se transforma em alimento o desperdício da sociedade, o que estava já destinado ao lixo. André Silvestre tem 64 anos de idade e todos os dias cumpre o mesmo ritual. Levanta-se muito cedo e pouco depois das cinco da manhã já é possível encontrá-lo a pedalar na sua bicicleta pelas ruas ainda meio adormecidas da cidade. Habituado a esta rotina, ele já sabe onde estão sacos com latas de refrigerante ou cerveja ou tampinhas de garrafa. Tudo isso já foi recolhido por outras pessoas e ele limita-se a juntar tudo, a levar para casa e a dividir para o processo de reciclagem. Cada montinho de latas, cada montinho de tampas de plástico vale apenas umas moedas, mas todas as moedas juntas permitem a compra de alimentos para um lar na cidade.

 

Ajudar o senhor António

André inspirou-se para fazer este trabalho quando conheceu o senhor António, já idoso, com mais de 80 anos, e que também todos os dias caminhava cerca de 10 km para juntar tampinhas de garrafa e latas para daí tirar o seu sustento. A princípio, como André contou a Tatiana Porto, da Fundação AIS, apenas procurava ajudar o senhor António que, na sua pobreza, não tinha outra forma senão aquela para sobreviver. Juntos ainda fizeram muitos quilómetros, até que António faleceu. A ideia era valiosa. Tinha de ser reciclada, à semelhança do que vinham fazendo com as tampinhas e as latas de cerveja ou de refrigerante. E André decidiu pedir ajuda à Fundação AIS que, no Brasil, tem vários programas de televisão e de rádio. “Percebi que só a AIS poderia alcançar os ‘antónios’ do mundo inteiro e fazer mais do que eu podia com aquele dinheiro”, explicou.

 

Um benfeitor discreto

André decidiu, entretanto, arranjar uma bicicleta e, assim, levar mais longe esta iniciativa de solidariedade, e aos poucos passou a ser conhecido não só no seu bairro como nos quarteirões em volta e um pouco por toda aquela zona da cidade. Outras pessoas foram-se juntando, oferecendo-lhe já o que elas próprias iam reciclando em suas casas, permitindo reunir mais e mais tampinhas, mais e mais latas vazias que, também e aos poucos, têm vindo a alimentar esta ideia simples, mas extraordinária. Além da ajuda que faz chegar à Fundação AIS, para projectos de apoio junto da Igreja que sofre no mundo, as tampinhas recicladas por André e pelos seus amigos são agora, também, um precioso auxílio para a compra de alimentos para o lar da cidade de São Paulo. “Toda a gente acaba por ganhar, principalmente eu que estou agora mais saudável desde que comecei a fazer estes exercícios matinais e até perdi uns quilinhos…” diz André, com uma simplicidade desarmante. André Silvestre, 64 anos de idade, é, pelo que faz, um herói discreto e é também um dos 347 mil benfeitores da Fundação AIS em todo o mundo, cujo dia se assinalou a 24 de Junho.

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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