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“Quantos pobres gera a insensatez da guerra!”
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O Papa Francisco alertou para o impacto global da guerra na Ucrânia. Na semana em que foi tornada pública uma conversa com os diretores das revistas dos Jesuítas, o Papa pediu desculpa por não ir a África, encontrou-se com militares e recebeu a presidente da Comissão Europeia.

 

1. A Mensagem do Papa Francisco para o VI Dia Mundial dos Pobres deixa críticas à Rússia. “Quantos pobres gera a insensatez da guerra!”, exclama o Papa, na mensagem para o dia que a Igreja vai assinalar no XXXIII Domingo do Tempo Comum, a 13 de novembro. No texto divulgado pelo Vaticano nesta terça-feira, 14 de junho, Francisco sublinha que “os mais atingidos pela violência são as pessoas indefesas e frágeis”. Lembrando que “a guerra na Ucrânia veio juntar-se às guerras regionais que, nestes anos, têm produzido morte e destruição”, o Santo Padre fala de “um quadro mais complexo devido à intervenção direta duma superpotência que pretende impor a sua vontade contra o princípio da autodeterminação dos povos”. “Vemos repetir-se cenas de trágica memória e, mais uma vez, as ameaças recíprocas de alguns poderosos abafam a voz da humanidade que implora paz”, denuncia. É neste contexto “tão desfavorável” que o Papa chama a atenção para a necessidade de se manter a solidariedade para com os mais necessitados, em particular “os milhões de refugiados das guerras”. Francisco aplaude a capacidade de acolhimento demonstrada, mas alerta para o facto de que “quanto mais se alonga o conflito, tanto mais se agravam as suas consequências”. “Este é o momento de não ceder, mas de renovar a motivação inicial”, considera.

Na mensagem de dez pontos, Francisco insiste na ideia de que “a pobreza que mata é a miséria, filha da injustiça, da exploração, da violência e da iniqua distribuição dos recursos”, e dá o exemplo de Carlos de Foucauld, canonizado a 15 de maio, “um homem que, tendo nascido rico, renunciou a tudo para seguir Jesus e com Ele tornar-se pobre e irmão de todos”.

O Papa termina a sua mensagem manifestando o desejo de que “o VI Dia Mundial dos Pobres se torne uma oportunidade de graça, para fazermos um exame de consciência pessoal e comunitário, interrogando-nos se a pobreza de Jesus Cristo é a nossa fiel companheira de vida”.

 

2. O Papa Francisco voltou a criticar Rússia pela crueldade na Ucrânia. Numa conversa com os diretores das revistas dos Jesuítas, que foram recebidos em audiência no Vaticano a 19 de maio, Francisco fala da “brutalidade e a ferocidade com que esta guerra está a ser levada a cabo pelas tropas, geralmente mercenárias, utilizadas pelos russos”, mas alerta, ao mesmo tempo, para “o perigo de só vermos isso, e não vermos todo o drama por detrás desta guerra, que talvez tenha sido de alguma forma provocada ou não impedida”. Nesta conversa que foi publicada dia 14 de junho pela revista ‘La Civittá Cattólica’, o Papa aludiu a uma outra conversa que teve, meses antes do início da guerra, com um chefe de Estado. “Um homem sábio, que me disse que estava muito preocupado com a forma como a NATO se estava a mover. Perguntei-lhe porquê, e ele respondeu: ‘Eles estão a ladrar às portas da Rússia. E não compreendem que os russos são imperiais e não permitem que nenhuma potência estrangeira se aproxime deles, e esta situação poderá levar à guerra’”, contou Francisco.

O Papa disse ainda que os russos “calcularam mal”, pois “pensavam que tudo estaria terminado numa semana”, mas “encontraram um povo corajoso, um povo que luta pela sobrevivência e que tem uma história de luta na sua própria história”. Francisco salienta, por isso, “o heroísmo do povo ucraniano” e afirma que “o que está perante os nossos olhos é uma situação de guerra mundial, de interesses globais, de venda de armas e de apropriação geopolítica, que está a martirizar um povo heróico”.

Para o Papa, “a terceira Guerra Mundial já foi declarada” e “este é um aspeto que nos deveria fazer refletir”, pois “é preciso pensar que num século houve três guerras mundiais sucessivas, com todo o comércio de armas por detrás delas”.

 

3. O Papa pediu desculpa pelo adiamento da viagem ao Congo e Sudão do Sul, prevista para os dias 2 a 7 de julho. “Gostaria de me dirigir às populações e autoridades da República Democrática do Congo e do Sudão. Com grande pesar, devido a problemas nos joelhos, tive de adiar a minha visita aos vossos países, agendada para os primeiros dias de julho. Eu realmente sinto um grande pesar por ter de adiar esta viagem, que realmente queria fazer. Por isso, peço desculpa e peço que oremos juntos, para que, com a ajuda de Deus e dos cuidados médicos, eu possa encontrar-me com vocês o mais rápido possível. Estamos confiantes”, referiu Francisco, no passado Domingo, 12 de junho, na Praça de São Pedro, após a recitação do Angelus.

O Papa assinalou ainda o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, uma realidade que considerou dramática. “Trabalhemos todos para eliminar este flagelo, para que nenhum rapaz ou rapariga seja privado dos seus direitos fundamentais e obrigado a trabalhar. A exploração de menores no trabalho é uma realidade dramática que nos desafia a todos”, pediu.

 

4. O Papa Francisco recebeu em audiência, a 11 de junho, cerca de 500 soldados da Brigada da Sardenha, que trabalham na operação ‘Ruas Seguras’, na cidade de Roma e no Vaticano, e agradeceu a “sensação de tranquilidade entre a população” que proporcionam. “Garante-se uma presença diária no território da capital, o que favorece uma sensação de tranquilidade na população. Pela minha parte, desejo expressar a minha sincera gratidão pelo serviço discreto e importante que prestam à Santa Sé, em cooperação e em conjunto com as Forças Policiais, na salvaguarda da ordem pública”, afirmou o Papa.

 

5. O Papa Francisco recebeu em audiência, a 10 de junho, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apontando o “compromisso comum de trabalhar para acabar com a guerra na Ucrânia” e deu “atenção especial aos aspetos humanitários” e consequências do conflito prolongado. “O foco do encontro foram as boas relações e o compromisso comum de trabalhar para acabar com a guerra na Ucrânia, dedicando atenção especial aos aspetos humanitários e às consequências do conflito prolongado”, informa a Santa Sé.

Ursula von der Leyen encontrou-se depois com o cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, onde foram discutidas as “conclusões da Conferência sobre o futuro da Europa” e as suas consequências nas futuras estruturas da União Europeia.

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