Família |
Exortação Apostólica ‘Amoris Laetitia’ - Capítulo VI
Educar os filhos: um chamamento, um desafio, uma alegria
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Com a celebração da Páscoa da Ressurreição ainda fresca, somos chamados a reflectir sobre a educação dos filhos como chamamento, desafio e alegria.

É indissociável a vocação para a vida conjugal do chamamento para a educação dos filhos. Na realidade, a alegria do namoro e do casamento cedo levam à percepção da vocação para a paternidade e, por consequência, para a responsabilidade da educação dos filhos.

Vale a pena reflectir um pouco mais. A educação é para sempre: de nós para os filhos e dos filhos para nós; deles para os netos e destes também para nós. Pois, se é verdade que, ao falar de educação, pensamos principalmente nos mais novos, a experiência da vida mostra que a formação da nossa consciência, o aperfeiçoamento da nossa vontade e a nossa capacidade de apreender o que a vida ensina são um processo para toda a vida.

Começa mais claramente, bem entendido, quando a realidade põe na nossa frente a evidência de que, depois de nascer, os filhos estão na nossa dependência e à nossa responsabilidade. São como parte de nós, nosso prolongamento. E, no entanto, damo-nos conta de que são pessoas totalmente autónomas, com dignidade própria, com personalidade e capacidades de relacionamento que são só deles. Relacionamento com cada um de nós, pai e mãe, relacionamento connosco como casal, relacionamento com os outros, e relacionamento com o mistério.

Então a educação revela-se como desafio para o caminho da valorização pessoal de cada um de nós. Em relação aos filhos e netos, mais importante do que dizer-lhes “faz isto, não faças aquilo” é ajudá-los a perceber onde está o bem e a verdade.

Surgem também como desafio as preocupações com a vida escolar, as companhias, as diversões e entretenimentos, como bem lembra o Papa Francisco, entre outras coisas, na “Amoris Laetitia”.

O coração deles deseja – como o nosso – a justiça, a verdade, a alegria e a beleza. E a educação deve procurar desenvolver e promover neles a procura da satisfação destes anseios. Como nós, terão muitas vezes a tentação de pensar que a encontram por meios mais imediatamente atraentes. E aí precisarão da nossa autoridade, de um conselho, às vezes de uma repreensão. Tal como nós, pais e educadores, quando acontece cairmos em incoerências que não desejamos. E há que os conduzir à percepção da bondade de Deus e à procura do perdão e da reconciliação.

Poderão sentir-se tentados a pensar que este caminho os priva de liberdade. Mas a liberdade reside na possibilidade de escolher aquilo que mais me realiza e há “felicidades” transitórias que tolhem o caminho para a felicidade plena. Há, pois que ajudá-los a abrir o coração para a percepção do amor de Deus.

Lembramos as palavras da escritura: “Diz o Senhor ‘Mesmo que a tua mãe te esquecesse, Eu nunca te esqueceria’ e ‘Eu disse o teu nome antes de entrares no ventre da tua mãe’”. São expressões do amor de Deus, que também o Papa Francisco recorda a respeito da “Amoris Laetitia”.

Com o tempo, a educação revela-se, assim, aperfeiçoamento do caminho para a realização da vocação dos filhos para a liberdade., na procura desta satisfação plena que só Deus dá.

Temos três filhos, já adultos. O mais velho é leigo consagrado, com uma vida em que os trabalhos a que foi chamado o levaram às sete partidas do mundo. Os outros dois são casados, com vidas profissionais menos dispersas, mas não menos preenchidas.

Temos dez netos, os mais velhos também já jovens adultos. Os mais novos ainda na infância, ou na adolescência.

Tivemos, ao longo dos anos, uma vida preenchidíssima. Com a Madalena mais em casa do que o Fernando, apesar de muito envolvida em múltiplos trabalhos, a presença junto dos filhos foi sempre assegurada, mesmo com um pai, médico, mais “ausente”.

Trabalho profissional no País e fora dele, envolvimento nas mais variadas associações, profissionais ou não, instituições diversas, projectos desafiantes. Por vários anos andámos com a casa e os filhos “às costas” por vários países. Experiência muito proveitosa para todos!

Mas, no meio da agitação e de todas as ocupações, a família, permaneceu sempre como o desafio mais sério e importante.

Entre nós foram sempre conversadas as linhas mestras da condução da vida familiar e da educação dos filhos. E foi com o desafio de acompanhar o seu crescimento e desenvolvimento, e de os apoiar, que nos fomos dando conta de como eles influenciavam a nossa vida de uma maneira que também nos educava, no meio de preocupações, sem dúvida, mas de muitas alegrias.

O seu desabrochar para a vida profissional, para a sua vocação, matrimonial ou não, o crescimento dos seus próprios filhos, nossos netos, leva-nos a perceber cada um deles com a sua individualidade própria, não repetitiva em relação a qualquer um dos outros. Conduz-nos a perceber como todos e cada um deles, se constitui um desafio próprio, constitui também uma fonte de júbilo e alegria.

O que pretendemos fazer é ajudá-los na descoberta pessoal de que a vida feliz é caminho para o Senhor.

Com o tempo e a idade, as nossas prioridades foram-se alterando. Enquanto anteriormente o empenho profissional e os muitos compromissos da vida mais activa, ocupavam grande parte dos nossos horizontes, hoje percebemos que a nossa vocação ganhou um novo sentido, que consiste em estar presentes para os assistir, com senioridade e com alegria, na sua procura de serem melhores e encontrarem, na sua liberdade, a sua vocação e o seu destino.

texto por Madalena e Fernando Maymone Martins
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