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À procura da Palavra
Mãe, Trabalho e Amor
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DOMINGO III DA PÁSCOA Ano C

«Senhor, Tu sabes tudo,

bem sabes que Te amo.»

Jo 21, 19

 

De tempos a tempos coincide a celebração no primeiro Domingo de maio do Dia da Mãe e do Dia do Trabalhador. E se há experiência humana onde os dois termos se identificam profundamente esta é uma delas. Que começa bem antes dos “trabalhos de parto” e se prolonga por toda a vida! Quer a maternidade (e a paternidade, claro), quer tudo o que tem a ver com o trabalho humano são temas fundamentais de reflexão e acção para a sociedade em todos os tempos. Revelam os valores que colocamos em primeiro lugar e são espelho do desenvolvimento, ou não, da humanidade!

 

Nestes dias pensar em “mães” é ter presente as mães da Ucrânia e o que têm feito para salvar os filhos dos horrores da guerra. E talvez lembrar outras mães da Etiópia, do Iémen, da Síria, e de outras guerras a que nos habituámos. Pensar em trabalho é também lembrar as situações de exploração e mesmo de escravidão, em tantos lugares, que não estão assim tão longe de nós. E nos constantes atropelos às condições e dignidade de vida de incontáveis trabalhadores, que são a base de sociedades onde a injustiça e o abismo das desigualdades cresce. Mãe e trabalho são duas palavras irmãs na alegria e na tristeza!

 

É em plena faina (ainda que infrutífera) que Jesus Ressuscitado se apresenta, mais uma vez, aos apóstolos. Como sempre não O reconhecem, depois de uma noite sem pescar nada, no alvor de um novo dia. Só quando, confiados na sua palavra, lançam as redes uma vez mais, e estas se enchem de peixes, é que são capazes de dizer: “É o Senhor!”  Foi preciso passar da noite em que os pensamentos e projectos não se revelam na sua totalidade para o dia que melhor ilumina tudo. Sem Jesus “não pescamos nada”! Podemos repetir palavras bonitas, organizarmo-nos em estruturas eficazes, controlar poderes e organizações, fazer celebrações sumptuosas, mas, sem Ele, morremos de fome pois as redes não trarão “os peixes” que enchem a vida de sentido e de graça. A pesca durante a noite, como creio que os pescadores fazem, é aqui símbolo do esforço humano a que falta a luz que é Cristo Ressuscitado. Também o trabalho humano precisa ser iluminado!

 

No diálogo com Pedro, Jesus insiste no essencial da vida cristã: o amor. Este amor que é caminho, feito de fragilidade e confiança, de humildade e grandeza, de que as mães são tão especialistas, mesmo quando a indiferença e a ingratidão dos filhos as magoam. No último diálogo entre Jesus e Pedro, antes da Paixão, Pedro tinha jurado que daria a vida por Ele. Os acontecimentos e a fragilidade do apóstolo que era a “rocha” vieram a demonstrar o contrário. Três feridas de negação precisam agora do bálsamo de três unções de amor. Jesus não duvida do amor de Pedro: Pedro é que precisa de o dizer para que também ele não duvide! Em vez de se fechar na fragilidade do passado, Pedro ensina-nos a acreditar no amor ferido, mas verdadeiro, que Jesus pode sempre curar. Não se parece com este todo o “trabalho de mãe”?

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