Papa |
Roma
“Que Deus vos recompense pela vossa ajuda”
<<
1/
>>
Imagem

O Papa Francisco agradeceu à Polónia o acolhimento de refugiados da Ucrânia. Na semana em que o Conselho Mundial das Igrejas pediu ao Patriarca Kirill que intervenha para um cessar-fogo, o Papa encontrou-se com os jovens, pediu a paz para o mundo e alertou contra “funcionalismo” e “pragmatismo” na vida dos padres.

 

1. O Papa agradeceu aos polacos o acolhimento que têm dado a quem foge da guerra na Ucrânia. “Estou particularmente grato pela vossa misericórdia em relação a tantos refugiados da Ucrânia que encontraram na Polónia portas abertas e corações generosos. Que Deus vos recompense pela vossa ajuda”, afirmou Francisco, quando se dirigiu aos peregrinos da Polónia, durante a audiência-geral de quarta-feira, 20 de abril. Na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa pediu ainda orações “pela paz e pelo conforto de todas as famílias” que por todo o mundo são vítimas de conflitos.

Dando continuidade ao ciclo de catequeses sobre a velhice, Francisco sublinhou a importância de se respeitar e reconhecer a dignidade dos mais velhos, e considerou que é urgente incentivar isso entre os jovens, porque é preciso “honrar quem nos precedeu”, não apenas pai e mãe, mas “as gerações anteriores”, a “velhice da vida”. “Por favor, protejam os idosos, pois eles são a presença da história. Por favor, não os deixem sozinhos”, pediu.

 

2. O Conselho Mundial das Igrejas (CMI) escreveu ao Patriarca Kirill de Moscovo implorando a sua intervenção com vista a “um cessar-fogo, pelo menos, por algumas horas”, para permitir que os católicos ortodoxos e gregos na Ucrânia, Rússia e em todo o mundo, possam celebrar pacificamente o Domingo de Páscoa, a 24 abril. O pedido foi formalizado pelo reverendo Ioan Sauca, secretário-geral interino do CMI, o corpo ecuménico que reúne 349 igrejas protestantes, ortodoxas e anglicanas. “O nosso humilde pedido a Sua Santidade, nesta situação particular e impossível, é que possa intervir e pedir publicamente um cessar-fogo, pelo menos, por algumas horas, durante o culto da Ressurreição”, escreveu o responsável, lembrando ao Patriarca de Moscovo que “as pessoas estão em grande desespero e sofrimento”. “Estou ciente que não está em seu poder parar a guerra ou influenciar aqueles que têm tal poder de decisão. Mas os fiéis aguardam uma palavra tranquilizadora de Sua Santidade. Eles acham que se se pronunciar com uma declaração pública e um pedido, como pai espiritual de milhões de ortodoxos, tanto na Rússia quanto na Ucrânia, isso pode ter impacto”, salienta o texto.

 

3. O Papa presidiu à peregrinação dos jovens italianos, na Praça de São Pedro, evocando as “nuvens” da guerra e da covid-19 que “esperam a luz da Páscoa”. “Jesus venceu as trevas da morte. Infelizmente, as nuvens que escurecem o nosso tempo ainda são densas. Além da pandemia, a Europa vive uma guerra terrível, enquanto continuam em muitas regiões da terra as injustiças e a violência, que destroem a humanidade e o planeta”, alertou. ‘Seguimi’ (Segue-me) foi uma peregrinação organizada pela Conferência Episcopal Italiana, na passada segunda-feira, 18 de abril, que reuniu de cerca de 80 mil adolescentes, entre os 12 e os 17 anos, acompanhados por 60 bispos e dezenas de sacerdotes, religiosos e religiosas, educadores e líderes de associações, movimentos e comunidades. “Ide em paz e sede felizes, todos vós. Em paz e com alegria”, concluiu Francisco.

Neste mesmo dia, de manhã, o Papa apelou à reconciliação. “Que a graça do Senhor ressuscitado dê conforto e esperança a quantos estão a sofrer. Que ninguém seja abandonado. Que os litígios, as guerras e disputas deem lugar à compreensão, à reconciliação”, pediu Francisco, na oração mariana Regina Caeli, de segunda-feira, feriado no Vaticano e em Itália, conhecida como ‘Segunda-feira do Anjo’, para lembrar a aparição do anjo às mulheres, anunciando a ressurreição de Jesus. O Papa pediu aos fiéis que “sublinhem sempre esta palavra: reconciliação”.

 

4. No Domingo de Páscoa, o Papa pediu a paz para o mundo. “Por favor, não nos habituemos à guerra. Deixemos entrar a paz de Cristo nas nossas vidas, nas nossas casas, nos nossos países”, proclamou Francisco, na bênção ‘Urbi et Orbi’, a partir do Balcão Central da Basílica Vaticana, na Praça de São Pedro. “Os nossos olhos estão incrédulos, nesta Páscoa de guerra. Demasiado sangue, vimos; demasiada violência. Também os nossos corações se encheram de medo e angústia, enquanto muitos dos nossos irmãos e irmãs tiveram de se fechar nos subterrâneos para se defender das bombas. Haja paz para a martirizada Ucrânia, tão duramente provada pela violência e a destruição da guerra cruel e insensata para a qual foi arrastada. Sobre esta noite terrível de sofrimento e morte, surja depressa uma nova aurora de esperança. Escolha-se a paz!”, pediu o Papa, que não deixou de referir explicitamente outros pontos de conflito onde quer ver “paz e reconciliação”: Líbano, Síria, Iraque, Líbia, Iémen, Myanmar, Afeganistão, Etiópia, República Democrática do Congo. “Deixemo-nos vencer pela paz de Cristo! A paz é possível, a paz é um dever, a paz é responsabilidade primária de todos!”, destacou.

Na Vigília Pascal, em Sábado Santo, o Papa pediu coragem para não reduzir a fé a um amuleto e desafiou a levar Jesus para a vida de todos os dias, com gestos de paz, neste tempo marcado pelos horrores da guerra. No final da Via-Sacra, em Sexta-feira Santa, Francisco apelou à reconciliação entre adversários. “Fazei que os adversários deem as mãos, para que saboreiem o perdão recíproco; desarmai a mão levantada do irmão contra o irmão, para que, onde há ódio, floresça a concórdia”, rezou. Na Missa da Ceia do Senhor, na prisão de Civitavecchia, nos arredores de Roma, numa visita privada à cadeia com o rito de lava-pés a 12 reclusos, entre homens e mulheres, o Papa garantiu que “Deus perdoa tudo e perdoa sempre! Somos nós que cansamos de pedir perdão”, declarou.

 

5. O Papa alertou contra o “funcionalismo” e a sujeição ao “pragmatismo dos números” na vida dos padres, falando durante a celebração da Missa Crismal, a que presidiu na Basílica de São Pedro. “A mentalidade funcionalista não tolera o mistério, aposta na eficácia. Pouco a pouco, este ídolo vai substituindo em nós a presença do Pai”, referiu Francisco, na homilia que proferiu em Quinta-feira Santa, 14 de abril. O Papa convidou ainda a reservar, diariamente, espaço para a oração e o exame de consciência, para detetar “ídolos escondidos”, como o da “mundanidade espiritual”. “Um sacerdote mundano não passa dum pagão clericalizado”, lamentou. “Queridos irmãos, Jesus é o único caminho para não nos enganarmos no conhecimento do que sentimos e para onde nos leva o nosso coração”, garantiu.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
A OPINIÃO DE
Guilherme d'Oliveira Martins
Acaba de ser publicada a declaração “Dignitas Infinita” sobre a Dignidade Humana, elaborada...
ver [+]

Tony Neves
Há fins de semana inspirados. Sábado fiz de guia a dois locais que me marcam cada vez que lá vou. A...
ver [+]

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Conta-nos São João que, junto à Cruz de Jesus, estava Maria, a Mãe de Cristo, que, nesse momento, foi...
ver [+]

Pedro Vaz Patto
Foi muito bem acolhida, pela generalidade da chamada “opinião pública”, a notícia de que...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
EDIÇÕES ANTERIORES