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“Renovamos as nossas orações para que termine esta crueldade selvagem”
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O Papa Francisco voltou a condenar “a monstruosidade da guerra” na Ucrânia. Na semana em que a ambulância doada pelo Papa foi entregue em Lviv, Francisco pediu um sério empenho “pela paz” e consagrou a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria. O esmoler pontifício e enviado do Papa à Ucrânia, cardeal Konrad Krajewski, esteve em Lisboa e Fátima.

 

1. O Papa voltou a condenar “a monstruosidade da guerra” na Ucrânia e apelou ao fim da “crueldade selvagem”. No final da audiência-geral de quarta-feira, 30 de março, Francisco lembrou em particular as crianças ucranianas que foram acolhidas por diversas instituições italianas. “Uma saudação particularmente afetuosa dirigida às crianças ucranianas acolhidas pela Fundação Ajudem-me a Viver, na estação Puer e na Embaixada da Ucrânia na Santa Sé”, referiu. “E com esta saudação às crianças, voltamos também a pensar na monstruosidade da guerra e renovamos as nossas orações para que termine esta crueldade selvagem que é a guerra”, acrescentou.

O Papa fez também uma referência à sua viagem a Malta, que vai decorrer neste fim-de-semana, 2 e 3 de abril, sublinhando o papel daquele país no acolhimento de refugiados. “Esta viagem apostólica será assim uma oportunidade para ir às fontes do anúncio do Evangelho, para conhecer pessoalmente uma comunidade cristã com mil anos de história, e animado para conhecer os habitantes de um país que está localizado no centro do Mediterrâneo e no sul do continente europeu. Hoje ainda mais empenhado em acolher os muitos irmãos e irmãs em busca de refúgio”, afirmou.

Neste encontro público semanal, na Sala Paulo VI, o Papa prosseguiu a catequese sobre a velhice e pediu uma cultura “de ternura social”. Segundo Francisco, só “a velhice espiritual pode dar testemunho, humilde e deslumbrante, tornando-o exemplar para todos”, porque a “sensibilidade espiritual dos idosos é capaz de quebrar a competição e o conflito entre gerações de forma credível e definitiva”.

 

2. O cardeal Konrad Krajewski está de novo na Ucrânia e nesta terça-feira, dia 29, entregou às autoridades de Lviv o veículo de emergência doado pelo Papa, que vai servir o Centro Regional de Saúde Materna e Infantil. É uma ajuda concreta que o esmoler pontifício e enviado especial do Papa levou até à Ucrânia. A ambulância, totalmente equipada, foi abençoada por Francisco antes de o cardeal seguir viagem até Lviv. É a segunda vez em poucos dias que o responsável pelas obras de caridade e sociais do Papa se desloca à Ucrânia.

 

3. O Papa reforçou a sua condenação da guerra na Ucrânia, falando no perigo de “autodestruição” da humanidade. “Renovo o meu apelo: Basta! Parem! Calem as armas! Empenhem-se seriamente pela paz! Rezemos sem descanso à Rainha da Paz, a quem consagrámos a humanidade, de modo particular, a Rússia e a Ucrânia, com uma participação grande e intensa, pela qual agradeço a todos”, pediu Francisco, após a recitação da oração do Angelus. Na janela do apartamento pontifício, na manhã do passado Domingo, 27 de março, Francisco recordou aos peregrinos que “passou mais de um mês do início da invasão da Ucrânia, do início desta guerra cruel e sem sentido”. “Como qualquer guerra, representa uma derrota para todos, para todos nós”, lamentou, defendendo ser preciso “repudiar a guerra, lugar de morte, onde pais e mães sepultam os filhos, onde homens matam os seus irmãos, sem os ter sequer visto, onde os poderosos decidem e os pobres morrem”. “A guerra não devasta apenas o presente, mas também o futuro de uma sociedade”, insistiu.

O Papa lembrou ainda que, desde o início da agressão à Ucrânia, uma em cada duas crianças está deslocada, no país. “Isso significa destruir o futuro, provocar traumas dramáticas nos mais pequenos e indefesos”, alertou.

 

4. O Papa consagrou a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, numa celebração no Vaticano, com ligação a Fátima, no passado dia 25 de março. “Ó Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia e a Ucrânia. Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz. O sim que brotou do vosso Coração abriu as portas da história ao Príncipe da Paz; confiamos que mais uma vez, por meio do vosso Coração, virá a paz. Assim a Vós consagramos o futuro da família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e as esperanças do mundo”, rezou Francisco. Antes, o Papa tinha lamentado que o mundo tenha perdido “o caminho da paz”. “Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Descuidamos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a atraiçoar os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens”, lembrou o Papa, suplicando: “Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear; Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar; Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade; Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo”.

Este momento de oração, com dimensão global, decorreu, em simultâneo, com Fátima, onde o ato de consagração foi presidido pelo cardeal Konrad Krajewski, esmoler pontifício e enviado do Papa à Ucrânia. Na Capelinha das Aparições esteve também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que considerou, aos jornalistas, que o Papa Francisco “tem feito tudo o que é possível” para se alcançar a paz.

O Patriarcado de Lisboa uniu-se ao Santo Padre e ao Santuário de Fátima, com a Sé a receber o ato de consagração, que foi presidido por D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, após a Missa e a oração do terço.

 

5. Na véspera de presidir, em Fátima, ao ato de Consagração da Rússia e da Ucrânia a Maria, o esmoler pontifício e enviado do Papa à Ucrânia, cardeal Konrad Krajewski, teve um encontro com o Cardeal-Patriarca de Lisboa. “Esta minha viagem [a Portugal] é muito silenciosa, no âmbito religioso, mas também um pouco triste, porque estive na Ucrânia. Vi o que ali acontece e, portanto, trago esta imagem do povo martirizado na Ucrânia. Este silêncio deve agora falar”, referiu o cardeal polaco, numa curta declaração aos jornalistas, no final do encontro com D. Manuel Clemente, que, por sua vez, destacou o simbolismo da consagração: “A consagração, como ato religioso, é algo constante na vida dos cristãos. Depois, ganha amplitude quando se refere a nações, a povos. Agora é, mais uma vez, a altura para o fazer, para lembrar que, problemas tão grandes, para nós, religiosos, devem resolver-se na raiz, ou seja, em Deus”.

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