JMJ Lisboa 2023 |
José Sá Fernandes, coordenador do Grupo de Projeto do Governo para a JMJ Lisboa 2023
“Que a Jornada aconteça nas melhores condições possíveis”
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Em entrevista, José Sá Fernandes dá a conhecer a missão do Grupo de Projeto e deseja que a JMJ Lisboa 2023 seja “a Jornada de maior união e harmonia”, como resposta à pandemia e à guerra. Este responsável acredita que “esta vai ser a Jornada mais ecológica de sempre” e deseja que o Parque Tejo, após agosto de 2023, venha a ter o nome ‘Papa Francisco’.

 

O Grupo de Projeto do Governo para a JMJ Lisboa 2023 entrou em funções no passado mês de outubro. Como têm decorrido estes primeiros seis meses de trabalho?

Acho que têm corrido muito bem e sempre com duas coisas muito importantes: muita calma e muita exigência. Este é um trabalho de enorme responsabilidade e, por isso, a primeira coisa a fazer é termos os pés na terra. Foi preciso fazer foi uma boa equipa, que estivesse apta a analisar qualquer tipo de situação que se adivinharia para esta Jornada. Sempre com dois ângulos: o da organização – que cabe ao COL –, sendo que nós somos uma equipa disponível para ajudar; e o do legado a deixar. Esta é a primeira JMJ que vai deixar um legado físico: um grande parque. E um parque que une dois concelhos: Lisboa e Loures.

 

Como é constituída a sua equipa?

Somos oito pessoas. Tive a preocupação de escolher uma boa equipa, com experiência e conhecedora das matérias: um engenheiro, um arquiteto, uma profissional da comunicação, uma jurista, uma geógrafa, uma pessoa envolvida nas causas sociais e territoriais e uma pessoa na coordenação administrativa.

Juntamente com a constituição da equipa, procurámos também garantir que as instalações onde nos encontramos agora [na Antiga Manutenção Militar de Lisboa, no Beato] ficassem confortáveis e que fossem um sinal de hospitalidade. Cada uma das câmaras municipais, assim como o COL da JMJ, têm as suas próprias equipas.

 

No que diz respeito à Jornada, que trabalho é desenvolvido concretamente por esta equipa?

No fundo, somos o representante do Governo para articular o que seja preciso com as duas câmaras municipais e com o COL. Procuramos ajudar em coisas tão diversas como, por exemplo, com a Proteção Civil, Transportes, Cultura... Fazemos essa coordenação com os diversos ministérios ou outras entidades.

 

O facto de estarmos, cada vez mais, a lidar com uma realidade mundial muito dinâmica – atualmente, vivendo o fim de uma pandemia e uma guerra na Europa, sem fim à vista –, vem alterar os objetivos do Grupo de Projeto? 

Não alteram em nada. O que tenho de fazer é ajudar para que o evento aconteça nas melhores condições possíveis, e que, depois, haja um legado, o tal parque que une os dois concelhos. Essa é a minha missão.

Mas tenho uma coisa a somar: pessoalmente, gostava que esta fosse a Jornada de maior união e harmonia, como resposta à pandemia, que se está a afastar, e como constatação de que todos temos de ser solidários uns com os outros. Seja um ou dois milhões, estaremos preparados para tudo, mas não é o número que vai fazer a Jornada. O que vai fazer a Jornada é este sentimento de quem quer vir, da fé católica, mas também deste espírito que o Papa, através das diversas encíclicas, nos tem dado ao longo destes tempos. Eu acho que pode ser um culminar muito bom.

 

Com as obras no Parque Tejo a começarem, prevê uma maior mobilização em torno da JMJ?

O que tenho sentido é isto: pela história das Jornadas, são milhares as pessoas com vontade de se encontrarem. Neste contexto causado pela pandemia, pelas ações de solidariedade que se geraram por causa da guerra, pelas próprias palavras do Papa Francisco... sente-se uma grande vontade!

Sobre as obras, acho muito importante as pessoas começarem a ver as coisas no território. Mas isso, também tem de ser feito com calma. Eu gostaria que, por volta de maio, tivéssemos uma calendarização de praticamente tudo a ser feito, até agosto de 2023. E depois de agosto, também...

 

Até porque o trabalho da sua equipa não termina com a JMJ…

Exato. Nós vamos preparar um terreno para receber a Jornada e, depois, entram as máquinas para a obra, para criar o parque que eu espero que tenha aquele nome que todos pensamos que venha a ter: Papa Francisco.

Em relação à concretização da obra, diz respeito às duas câmaras. A Câmara Municipal de Lisboa tem que concretizar o que já tinha sido lançado; em relação a Loures, é apressar muitos estudos que já tinham sido pensados para que fossem lançados os procedimentos e respetivas empreitadas.

Tudo isto está também ligado ao trabalho do COL, porque o COL tem que saber qual é o território onde se pode fazer a Jornada.

 

Como tem decorrido o trabalho com o COL?

Eu acho que tem corrido muito bem. Temos correspondido ao que nos é pedido e também temos avançado com coisas que antecipo virem a ser necessárias.

As reuniões têm sido muito à volta de assuntos relacionados com o território onde vai acontecer a Jornada: saber onde se vão colocar os peregrinos, onde se deve colocar a água, os serviços... sem esquecer que esta vai ser a Jornada mais ecológica de sempre.

Temos tido reuniões todas as terças-feiras, com o D. Américo Aguiar [presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023], com o secretário executivo do COL, Duarte Ricciardi, com a Câmara de Lisboa e com a Câmara de Loures.

 

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Um “peregrino de Fátima” focado no ambiente

Pessoalmente, que significado tem esta missão, sabendo que, para além da dimensão profissional, existe também a sua ligação à fé?

Para já, tem um lado prático e pessoal. Eu sou peregrino de Fátima e, depois de o parque estar feito, vou poupar um dia no caminho a pé [risos]. De facto, tenho esta prática de fazer parques e jardins. A minha luta, desde os vinte e tal anos, foi a de unir bocados da cidade e tive muita intervenção no país todo, em termos ambientais. Acho que foi por isso que fui convidado. Não foi por ser católico, ter fé, ou por ser peregrino de Fátima. Agora, não escondo que isso me agrada muito. Ou seja, o facto de estar a fazer um trabalho – que eu acho que é aquilo que sei fazer – e, ao mesmo tempo, juntar a preparação de uma Jornada, de um encontro de jovens católicos, aberto a todos os outros jovens, sempre com esta ideia da tolerância e da abertura aos outros, a vinda de um Papa pelo qual tenho uma admiração extraordinária! Não escondo que acordo todos os dias com mais vontade.

 

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José Sá Fernandes tem 63 anos e foi nomeado pelo Governo, em julho de 2021, como coordenador do Grupo de Projeto para a JMJ Lisboa 2023. Anteriormente, foi vereador da Câmara Municipal de Lisboa, com o pelouro do Ambiente, Clima e Energia, Estrutura Verde e Serviços Urbanos.

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