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“A guerra é uma loucura, parem por favor!”
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O Papa Francisco voltou a apelar ao fim da guerra na Ucrânia. Na semana em que o Secretário de Estado do Vaticano conversou com o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, o Papa enviou dois cardeais para mediar o conflito, esteve de retiro e foram anunciadas as visitas papais ao Congo e Sudão do Sul.

 

1. “A guerra é uma loucura, parem por favor, olhem para esta crueldade”, apelou o Papa Francisco, durante o Angelus, no passado Domingo I da Quaresma, 6 de março. Na janela do apartamento pontifício, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa defendeu a realização de negociações e reforçou a disponibilidade da Igreja para ajudar na tentativa de alcançar a paz na Ucrânia, invadida a 24 de fevereiro pela Rússia. Perante uma multidão de fiéis, alguns com bandeiras da Ucrânia, Francisco disse que “na Ucrânia correm rios de sangue e de lágrimas”. “Não se trata apenas de uma operação militar, mas de guerra, que semeia morte, destruição e miséria. As vítimas são cada vez mais numerosas, assim como as pessoas em fuga, especialmente mães e crianças. Naquele país martirizado, cresce dramaticamente a cada hora a necessidade de assistência humanitária”, sublinhou.

O Santo Padre voltou também a apelar à criação de corredores humanitários. “Dirijo o meu veemente apelo para que sejam garantidos corredores humanitários, que seja garantido e facilitado o acesso de ajuda às zonas sitiadas, para levar socorro aos nossos irmãos e irmãs oprimidos pelas bombas e pelo medo”, pediu Francisco, deixando uma palavra de agradecimento a “todos aqueles que estão a acolher os refugiados” e implorando “que cessem os ataques armados e prevaleça a negociação, e prevaleça o bom-senso e se volte a respeitar o Direito internacional”.

Francisco também agradeceu “aos jornalistas que, para garantir a informação, colocam em risco a própria vida”. “Obrigado irmãos e irmãs por este vosso serviço, um serviço que nos permite estar próximo do drama daquelas populações e nos permite avaliar a crueldade de uma guerra”, declarou o Papa, que depois rezou pela Paz na Ucrânia.

 

2. O Secretário de Estado do Vaticano e o ministro russo dos Negócios Estrangeiros conversaram ao telefone esta terça-feira, 8 de março, sobre o conflito na Ucrânia, tendo o cardeal Parolin manifestado a “profunda preocupação” do Papa pela guerra. “Em particular, reiterou o apelo para interromper os ataques armados, garantir corredores humanitários para civis e socorristas, substituir a violência das armas pela negociação”, refere uma nota divulgada pela Santa Sé.

O responsável pela diplomacia do Vaticano reafirmou a posição pública assumida por Francisco durante o Angelus, colocando-se ao dispor das partes em conflito, “ao serviço da paz”. Lavrov, por sua vez, apresentou a posição de Moscovo “a respeito das causas e objetivos da operação militar especial que está a ser realizada na Ucrânia”, refere uma nota do Ministério das Negócios Estrangeiros da Rússia.

Já na segunda-feira, 7 de março, o cardeal Pietro Parolin tinha sublinhado a disponibilidade da Santa Sé para mediar o conflito entre a Ucrânia e a Rússia. “Acredito que o que deve ser feito agora, antes tudo, é parar as armas, parar os combates, sobretudo evitar uma escalada. E a primeira escalada é justamente a verbal”, afirmou o responsável, em entrevista ao canal televisivo dos bispos italianos. O colaborador do Papa, responsável pela diplomacia da Santa Sé, reforçou o compromisso de procurar que as duas partes deixem as armas e procurem o diálogo. “Já existem várias tentativas em andamento, em todo o mundo. Portanto, estamos disponíveis, se for considerado que a nossa presença e a nossa ação podem ajudar”, sublinhou D. Pietro Parolin.

 

3. O Papa Francisco enviou dois cardeais para mediar a guerra na Ucrânia. O cardeal Konrad Krajewski, responsável pelas obras de caridade do Papa, chegou segunda-feira, 7 de março, à fronteira da Polónia com a Ucrânia, e o cardeal Michael Czerny, do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, no dia seguinte à Hungria, para “visitar alguns centros de acolhimento” de refugiados, segundo um comunicado do Vaticano. Mas “ambos dirigem-se à Ucrânia” onde, dependendo da situação, “chegarão nos próximos dias”, revela a nota.

Os enviados do Papa pretendem inteirar-se da situação de muitos residentes africanos e asiáticos na Ucrânia, refere o comunicado, sublinhando que há “informações preocupantes” sobre o aumento do tráfico humano e a introdução ilegal de migrantes nas fronteiras dos países vizinhos. “Esta presença de dois cardeais, lá, é a presença não só do Papa, mas de todo o povo cristão, que se quer aproximar e dizer: a guerra é uma loucura, parai por favor! Olhai para esta crueldade”, afirmou Francisco, durante a oração do Angelus.

 

4. O Papa Francisco iniciou, no passado Domingo I da Quaresma, 6 de março, os Exercícios Espirituais, juntamente com os colaboradores da Cúria Romana. “Levaremos na nossa oração todas as necessidades da Igreja e da família humana. E também vocês, por favor, rezem por nós”, escreveu o Papa, no Twitter.

O Vaticano informou que, “dada a persistência da emergência epidemiológica do Covid-19”, também este ano “não será possível viver os Exercícios Espirituais da Cúria Romana em comunidade na Casa Divin Maestro em Ariccia”. O retiro termina na sexta-feira, 11 de março, sendo que, durante esta semana, “todos os compromissos do Santo Padre serão suspensos, incluindo a Audiência Geral na quarta-feira, 9 de março”, refere o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé.

 

5. O Papa Francisco vai visitar a República Democrática do Congo e o Sudão do Sul, no próximo mês de julho. Um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé esclarece que o Papa respondeu positivamente ao convite dos chefes de Estado e das conferências episcopais dos dois países. O programa da viagem não foi ainda divulgado em detalhe, mas inclui deslocações a Kinshasa e Goma, no Congo, entre 2 e 5 de julho, e a Djouba, no Sudão do Sul, onde Francisco estará entre 5 e 7 de julho. Há muito tempo que o Papa deseja visitar o Sudão do Sul, mas a instabilidade no mais jovem país do mundo – é independente do Sudão desde 2011 – fez adiar a deslocação.

Recorde-se que a primeira viagem internacional do Papa Francisco confirmada para este ano está prevista para os dias 2 e 3 de abril, a Malta. A deslocação foi adiada em 2020, devido à pandemia.

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