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À procura da Palavra
Será impossível?
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DOMINGO VII COMUM Ano C

“Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,

abençoai os que vos amaldiçoam,

orai por aqueles que vos injuriam.”

Lc 6, 27

 

Quantos desafios que nos pareceram impossíveis acabaram por se realizar? Há uma sede humana de ultrapassar limites, de ir além do que parece razoável, de bater recordes, de “mandar o coração para o alto da montanha e fazer com que o corpo vá ter com ele”, como contava um alpinista. Mas, diferentemente dos “possíveis”, o que caracteriza os “impossíveis” é o esforço, a persistência, a vontade, as lições que se tiram dos fracassos.

 

Algumas vozes anteriores a Jesus já tinham falado de amor. Poderíamos encontrar no mundo antigo três círculos das relações humanas: o amor aos próximos (família, clã, vizinhos), a justiça com os compatriotas (mesma cidade, mesmo país), e o ódio e guerra aos estrangeiros. O sábio chinês Me-Ti, quatro séculos antes de Cristo, dizia: “Porque nascem as desordens? Nascem porque não nos amamos uns aos outros”. No Livro dos Mortos do antigo Egipto lê-se: “Eu nunca fiz passar fome a ninguém! Não fiz chorar! Não mandei matar à traição!” Sócrates dá passos para o amor: “Não se deve devolver a ninguém injustiça por injustiça, mal por mal, seja qual for a injúria que hajas recebido.” No livro dos Provérbios chegamos às portas das Bem-aventuranças: “Se o que te odeia tem fome, dá-lhe pão para comer; se tiver sede, dá-lhe água para beber.”

 

Mas o que parece impossível é pedido por Jesus. O mandamento do amor cristão tem três movimentos: amor de Deus ao homem, amor do homem a Deus, e amor entre os irmãos. Não são separáveis. Jesus une logo o amor a Deus e o amor ao próximo. É um amor sem limites, e para vivê-lo verdadeiramente, em especial na “possibilidade” de “amar os inimigos” (nunca ninguém disse algo tão escandaloso!), é preciso reconhecer que a fonte do amor não está em nós, mas em Deus. Se Deus é o Pai que perdoa e que cria, em Jesus, a nova família, é amando assim que somos “filhos do Altíssimo”.

 

O amor que é mais forte do que a morte é dito no Novo Testamento pela palavra grega “agapé”. O teólogo alemão Schelkle descreve-o assim: “este amor não é um afecto que elege o seu objecto; o mandamento neotestamentário reza assim: deves amar. Entendendo-se o amor como um sentimento, seria absurdo mandar que alguém amasse. Se se manda amar, é porque se entende o amor como uma atitude de vontade.” Não é um esforço perfeccionista que seria mais uma expressão de egoísmo. É sim entrar no dinamismo “custoso” mas libertador e gerador de vida em abundância. Recordo a deliciosa pergunta de uma madrinha à sua afilhada na véspera do casamento, diante das dúvidas que esta apresentava, sobre a absoluta certeza de ser “ele” o “homem da sua vida”: “Dizes então que o amas. Muito bem. E queres amá-lo?” Afinal o impossível também é possível!

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