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“O que dá dignidade é ganhar o pão”
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O Papa Francisco alertou para realidade dos trabalhadores explorados e sem dignidade. Na semana em que se encontrou com o corpo diplomático no Vaticano, o Papa batizou 16 bebés, assinalou o Dia de Reis e publicou a Mensagem para o Dia Mundial das Missões.

 

1. O Papa Francisco dedicou a catequese da audiência-geral de quarta-feira à figura de São José – o carpinteiro, pai adotivo de Jesus – e alertou para os “muitos trabalhadores explorados e sem dignidade”. Considerando o trabalho de José bastante duro e sem grandes ganhos económicos, Francisco partilhou com os fiéis que este dado biográfico sobre José e Jesus o faz “pensar em todos os trabalhadores do mundo, especialmente naqueles que trabalham arduamente em minas e em certas fábricas”. “Pensemos neles, naqueles que são explorados através do trabalho não declarado, que recebem salário escondido, sem segurança; pensemos nas vítimas do trabalho; nas crianças que são obrigadas a trabalhar, é terrível que uma criança na idade de brincar seja obrigada a trabalhar como um adulto; pensemos naqueles que vasculham as lixeiras em busca de algo útil para trocar”, pediu o Papa, no passado dia 12 de janeiro, alertando, depois, para os que “estão desempregados” e “vão bater às portas das fábricas, das empresas”, mas não encontram emprego, porque falta trabalho. “O que dá dignidade não é levar o pão para casa. O que dá dignidade é ganhar o pão. Se não damos ao nosso povo, aos nossos homens e mulheres, a capacidade de ganhar o pão, isso é uma injustiça social naquele local, naquela nação, naquele continente. Os governantes devem dar a todos a possibilidade de ganhar o pão, pois ganhar o pão, dá dignidade. O trabalho é uma unção de dignidade. Isso é importante”, garantiu.

No encontro público semanal, Francisco denunciou, depois, que “nestes tempos de pandemia, muitas pessoas perderam os empregos, como sabemos, e algumas, esmagadas por um fardo insuportável, chegaram ao ponto de cometer suicídio”. “Gostaria hoje de lembrar cada um deles e as suas famílias”, referiu, convidando as centenas de pessoas reunidas na Sala Paulo VI a fazerem um minuto de silêncio.

 

2. A luta contra a pandemia ainda requer de todos um “esforço considerável” e faz com que o novo ano se anuncie “desafiador”, começou por afirmar o Papa no tradicional discurso de Ano Novo aos embaixadores acreditados junto da Santa Sé, no passado dia 10 de janeiro. Um dos desafios é o de confiar nas vacinas, que “não são instrumentos mágicos de cura”, mas constituem a “solução mais razoável”, lembrou Francisco, para quem nesta matéria a “firmeza na tomada de decisões” e a “clareza comunicativa” são fundamentais para evitar “confusão” e “desconfiança”. O Papa voltou a apelar à responsabilidade social dos que mais têm para com os países mais pobres, onde as vacinas ou ainda não chegaram, ou não são suficientes. “Constata-se, com mágoa, que em muitos locais do mundo o acesso universal à assistência sanitária ainda permanece uma miragem”, reiterou, deixando, “num momento tão grave para toda a humanidade”, um apelo para “que os governos, e as entidades privadas interessadas, mostrem sentido de responsabilidade, elaborando uma resposta coordenada a todos os níveis (local, nacional, regional, global), através de novos modelos de solidariedade e instrumentos aptos para reforçar as capacidades dos países mais pobres”, disse Francisco.

Nesta intervenção, o Papa apelou várias vezes à união na luta contra problemas comuns, justificando com “a questão migratória, bem como a pandemia e as mudanças climáticas” que “mostram claramente que ninguém se pode salvar sozinho” e que “os grandes desafios do nosso tempo são todos globais”.

 

3. O Papa presidiu à Missa na Capela Sistina, com o batismo de 16 bebés, assinalando o final do tempo litúrgico do Natal e pedindo aos pais e padrinhos que guardem, todos os dias, a “identidade cristã”. “Receber a identidade cristã: é isto, simplesmente. Os vossos filhos recebem hoje a identidade cristã. E vós, pais e padrinhos, devem custodiar esta identidade, este é o vosso trabalho, durante a vida: custodiar a identidade cristã dos vossos filhos”, referiu Francisco, numa homilia improvisada, de três minutos, no dia da Festa do Batismo do Senhor, a 9 de janeiro.

Mais tarde, na oração do Angelus, na Praça de São Pedro, o Papa expressou a sua “dor” pelas vítimas dos tumultos no Cazaquistão e apelou ao “diálogo” e à “justiça” para que a “harmonia social” regresse ao país o mais depressa possível.

 

4. Em Dia de Reis, a 6 de janeiro, o Papa alertou que a crise da fé tem a ver “com o desaparecimento do desejo de Deus”, a “sonolência do espírito” e com o hábito de nos “contentarmos em viver o dia a dia, sem nos interrogarmos acerca daquilo que Deus quer de nós”. “Debruçamo-nos demasiado sobre os mapas da terra e esquecemo-nos de erguer o olhar para o céu; estamos empanturrados com muitas coisas, mas desprovidos da nostalgia do que nos falta. Fixamo-nos nas necessidades, no que havemos de comer e vestir (cf. Mt 6, 25), deixando dissipar-se o anseio por aquilo que o ultrapassa. E deparamo-nos com a bulimia de comunidades que têm tudo e muitas vezes já nada sentem no coração. Porque a falta de desejo leva à tristeza e à indiferença”, destacou Francisco, na homilia da Missa da Solenidade da Epifania do Senhor.

Na Basílica de São Pedro, o Papa apontou o exemplo dos Magos, que peregrinaram a Belém, movidos pela inquietação interior de encontrarem o Menino Deus, destacando que a saudável inquietação nasceu do desejo. “É triste quando uma comunidade de crentes já não tem desejos, arrastando-se, cansada, na gestão das coisas, em vez de se deixar levar por Jesus, pela alegria explosiva e desinquietadora do Evangelho”, observou.

 

5. Na Mensagem para o Dia Mundial das Missões, a 23 de outubro de 2022, o Papa refere que continua a “sonhar com uma Igreja toda missionária e uma nova estação da ação missionária das comunidades cristãs”. No texto com o tema ‘Sereis minhas testemunhas’ (At 1, 8), Francisco centra a sua reflexão nas últimas palavras de Jesus ressuscitado aos seus discípulos e resume os três alicerces da vida e da missão dos discípulos: “Sereis minhas testemunhas”, “até aos confins do mundo” e “recebereis a força do Espírito Santo”.

O Papa não esquece também os muitos cristãos que se veem “constrangidos a fugir da sua terra para outros países, por causa de perseguições religiosas e situações de guerra e violência,” e agradece “a estes irmãos e irmãs que não se fecham na tribulação, mas testemunham Cristo e o amor de Deus nos países que os acolhem”.

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