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“Não se deve ter medo de escolher o caminho da adoção”
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O Papa Francisco recordou as crianças que “estão à espera de alguém que cuide delas”. Na semana em que revelou a primeira intenção de oração de 2022, o Papa lamentou que o acesso à saúde ainda seja “um luxo”, garantiu que Deus pode habitar até numa “vida transviada”, disse “basta” à violência contra as mulheres, escreveu aos casais e recordou o serviço evangélico do arcebispo Tutu. Nas celebrações de Natal, fez referência à violência no seio das famílias.

 

1. O Papa lembrou as crianças que esperam por uma família, desafiando à adoção. “Não se deve ter medo de escolher o caminho da adoção, de assumir o risco do acolhimento”, declarou Francisco, na primeira audiência-geral de quarta-feira de 2022. Na Sala Paulo VI, no dia 5 de janeiro, o Papa recordou as crianças que, em todo o mundo, “estão à espera de alguém que cuide delas”, alertando para o “egoísmo” de muitas pessoas que levou a um “inverno demográfico”. “Cães e gatos ocupam o lugar dos filhos”, lamentou, rezando para que se “despertem as consciências”. “Ter filhos é sempre um risco, sejam naturais, sejam adotivos, mas o maior risco é não os ter, negar a paternidade, negar a maternidade”, prosseguiu, considerando ainda que “renegar a maternidade e a paternidade” diminui o ser humano e a sociedade, que perdem essa “riqueza”.

 

2. A edição de janeiro de ‘O Vídeo do Papa’ apela à liberdade religiosa e das pessoas que sofrem discriminação. No sétimo ano desta iniciativa da Rede Mundial de Oração do Papa, Francisco convida todas as pessoas a escolherem “o caminho da fraternidade”, não só respeitando o outro, mas valorizando-o genuinamente “na sua diferença” e reconhecendo-o “como verdadeiro irmão”. “Porque, ou somos irmãos, ou todos perdemos”, lembra o Papa, na primeira intenção de oração de 2022.

 

3. Na Mensagem para o Dia Mundial do Doente, com o tema ‘Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Colocar-se ao lado de quem sofre num caminho de caridade’, o Papa salienta que ainda há “um longo caminho a percorrer” para garantir que “todos os doentes, mesmo nos lugares de maior pobreza e marginalização”, tenham acesso aos cuidados de saúde que precisam. Francisco lembra que haja países onde “receber adequados tratamentos continua a ser um luxo”.

O Papa – que em 2021 esteve 10 dias internado, na sequência de uma cirurgia – lembra que, para muitos, a doença é uma experiência dura de isolamento. “Como não recordar os numerosos enfermos que, durante este tempo de pandemia, viveram a última parte da sua existência na solidão duma Unidade de Cuidados Intensivos”, refere, sublinhando a importância da “missão” dos “generosos profissionais de saúde”.

 

4. O Papa pediu aos fiéis para assumirem os pecados e falhas e não se distanciarem de Deus, que pode habitar até numa “vida transviada”. “Muitas vezes mantemos distância de Deus, porque pensamos que não somos dignos d’Ele por outros motivos. Mas o Natal convida-nos a ver as coisas do seu ponto de vista: Deus deseja incarnar. Se o teu coração parece muito sujo pelo mal, desordenado, não te feches, não tenhas medo. Pensa no estábulo em Belém. Jesus nasceu ali, naquela pobreza, para te dizer que, certamente, não tem medo de visitar o teu coração, de habitar numa vida transviada”, observou, na oração do Angelus do passado Domingo, 2 de janeiro.

 

5. O novo ano começou com um pedido veemente do Papa, na Basílica de São Pedro, em Roma. “Basta de violência contra as mulheres”, foi o apelo de Francisco na primeira Missa do ano, na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz, na Basílica de São Pedro, a 1 de janeiro. “O novo ano começa sob o signo da Mãe. O olhar materno é o caminho para renascer e crescer. As mães, as mulheres olham o mundo não para o explorar, mas para que tenha vida. E enquanto as mães dão a vida e as mulheres guardam o mundo, empenhemo-nos todos para promover as mães e proteger as mulheres. Quanta violência existe contra as mulheres! Basta! Ferir uma mulher é ultrajar a Deus, que tomou duma mulher a humanidade”, destacou.

 

6. No Domingo da Sagrada Família (26 de dezembro), o Papa escreveu uma carta aos casais de todo o mundo, deixando uma mensagem de “proximidade”, particularmente a quem viveu momentos de perda e separação. “Sempre tive presente as famílias nas minhas orações, mas mais ainda durante a pandemia que colocou todos duramente à prova, sobretudo os mais vulneráveis. O momento que estamos a atravessar leva-me a aproximar, com humildade, estima e compreensão, de toda a pessoa, casal e família na sua situação concreta”, refere o documento, por ocasião do Ano ‘Família Amoris laetitia’. A carta admite que, para muitos casais, a convivência durante os confinamentos foi “particularmente difícil”, com “discussões e feridas”, chegando até à “rotura da relação”, nalguns casos. “A estas pessoas, desejo manifestar também a minha proximidade e afeto”, indicou.

 

7. O Papa recordou o trabalho do arcebispo Desmond Tutu na luta contra o racismo na África do Sul, descrevendo-o como evangélico. Num telegrama assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, lê-se que Francisco ficou “entristecido ao saber da morte do arcebispo Desmond Tutu”, a 26 de dezembro, aos 90 anos. O Papa evoca “o serviço ao Evangelho” de Tutu “através da promoção da igualdade racial e reconciliação na África do Sul” e “encomenda a sua alma à misericórdia de Deus todo-Poderoso”.

 

8. No dia de Natal, a 25 de dezembro, o Papa Francisco fez uma referência específica à violência no seio das famílias. “Filho de Deus, confortai as vítimas da violência contra as mulheres que grassa neste tempo de pandemia. Concedei esperança às crianças e adolescentes que são vítimas do bullying e de abusos. Dai consolação e carinho aos idosos, sobretudo aos mais abandonados. Proporcionai serenidade e unidade às famílias, lugar primário da educação e base do tecido social”, pediu Francisco, na tradicional Mensagem ‘Urbi et Orbi’ (‘à cidade e ao mundo’), no balcão central da Basílica Vaticana.

Na Missa da Noite de Natal, a 24 de dezembro, o Papa sublinhou que Jesus, ao nascer numa manjedoura, “oferece-se na pequenez”. Acolher a pequenez de Jesus significa “abraçar Jesus nos pequenos de hoje”, “amá-l’O nos últimos, servi-l’O nos pobres. São eles os mais parecidos com Jesus, nascido pobre. E é nos pobres que Ele quer ser honrado”, sublinhou, na Basílica de São Pedro.

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