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Roma
“Procuremos adotar uma atitude de silêncio e escuta”
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O Papa Francisco convidou a redescobrir valor do silêncio na preparação para o Natal. Na semana em que a Santa Sé divulgou o rito de instituição do ministério de catequista, o Papa sublinhou ser “importante ver a pessoa com deficiência como um de nós”, deixou sugestões e alertas na preparação natalícia e pediu à Virgem que “desfaça o coração de pedra dos que levantam muros”.

 

1. O Papa convidou a redescobrir o valor do silêncio na preparação para o Natal. “Com os olhos voltados para a gruta de Belém, onde José e Maria, em silêncio, esperam com amor o nascimento do Menino Jesus, aprendamos a acabar com os silêncios cúmplices e com as palavras que minam a caridade, para estar perto de quem sofre e precisa de ser acolhido, reconhecido, protegido e amado”, pediu Francisco, na audiência-geral de quarta-feira, 15 de dezembro. Na Sala Paulo VI, no Vaticano, o Papa dedicou a catequese à figura de São José, desafiando a “imitar” o seu “exemplo”. “Procuremos adotar uma atitude de silêncio e escuta, para estarmos prontos para receber a Palavra eterna do Pai, o seu Filho encarnado, Jesus Cristo”, declarou, sustentando que é importante pensar no silêncio “nesta época em que parece ter pouco valor”. “O silêncio de José não é mutismo; é um silêncio cheio de escuta, um silêncio laborioso, um silêncio que faz emergir a sua grande interioridade”, referiu. “Como seria bom se cada um de nós, seguindo o exemplo de São José, conseguisse recuperar esta dimensão contemplativa da vida, aberta precisamente pelo silêncio. Mas todos sabemos por experiência própria que não é fácil: o silêncio assusta-nos um pouco, porque nos pede para entrarmos em nós mesmos e encontrarmos a parte mais verdadeira de nós”, acrescentou.

 

2. A Santa Sé publicou, a 13 de dezembro, o rito litúrgico de instituição dos catequistas, o novo ministério criado pelo Papa Francisco em maio deste ano, através da carta apostólica (Motu Proprio) ‘Antiquum ministerium’. O prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos dirige uma carta aos presidentes das Conferência Episcopais onde lembra que é um ministério “destinado aos leigos” e um “serviço estável prestado à Igreja local”. O arcebispo Arthur Roche refere que o ministério de catequista pode ter uma “grande variedade de formas”, e que tem “um forte valor vocacional que requer o devido discernimento por parte do bispo”, acrescentando que não devem ser instituídos todos os que são chamados a ser catequistas.

 

3. O Papa Francisco encontrou-se com uma delegação do Instituto Seráfico de Assis, em Itália, nos 150 anos de fundação do organismo, e salientou que a pessoa com deficiência deve estar no “centro da atenção de todos e da política”. “Se a deficiência ou doença torna a vida mais difícil, esta vida não é menos digna de ser vivida, e vivida em plenitude. É importante ver a pessoa deficiente como um de nós, que deve estar no centro de nossos cuidados e preocupações, e também no centro da atenção de todos e da política. É um objetivo de civilização”, destacou o Papa, no passado dia 13 de dezembro. Na Sala Paulo VI, Francisco sublinhou que a “solidariedade de muitas pessoas é necessária”. “Não é possível deixar sozinhas tantas famílias obrigadas a lutar para sustentar os seus filhos em dificuldade, com a grande preocupação pelo futuro que os espera quando não poderão mais segui-las”, assinalou.

Aos membros do Instituto Seráfico de Assis, lembrou: “O mais importante é o espírito com o qual todos vocês se dedicam a esta missão. É claro para vocês, como deveria ser para todos, que cada pessoa humana é preciosa, tem um valor que não depende do que tem ou das suas habilidades, mas do simples facto de ser pessoa, imagem de Deus”.

 

4. O Papa convidou a preparar o Natal com gestos concretos que ajudem ao “bem da Igreja e da sociedade”. “O tempo do Advento é para isso: parar e perguntar como preparar-nos para o Natal. Estamos ocupados com tantos preparativos, por presentes e coisas que passam, mas vamos perguntar-nos: o que fazer por Jesus e pelos outros?”, referiu, após a oração do Angelus, no passado Domingo, 12 de dezembro. Na janela do apartamento pontifício, Francisco sublinhou que a fé “incarna na vida concreta”.  “Posso ligar para aquela pessoa sozinha, visitar aquele idoso ou aquele doente, fazer alguma coisa para servir um pobre, alguém que precisa”, exemplificou, numa Praça de São Pedro que teve a tradicional bênção das imagens do Menino Jesus, trazidas pelas crianças de Roma.

O Papa assinalou ainda os 70 anos da Cáritas Internacional, elogiando a ação junto dos pobres. “A Cáritas é, em todo o mundo, a mão amorosa da Igreja para os pobres e os mais vulneráveis, nos quais está presente Cristo”, disse Francisco.

 

5. O Papa alertou para a “contaminação” do Natal pelo consumismo e a indiferença, falando às delegações que este ano ofereceram o presépio e a árvore para a Praça de São Pedro. “Não vivamos um Natal a fingir, um Natal comercial, por favor! Deixemo-nos envolver pela proximidade de Deus, que é compassiva, terna; envolver pelo clima natalício que a arte, a música, os cantos e as tradições trazem aos nossos corações”, frisou, no passado dia 10 de dezembro. O Vaticano recebeu, este ano, um presépio dos Andes peruanos, com mais de 30 peças, e uma árvore com 28 metros, vinda das florestas do Andalo, no norte de Itália. “Caros amigos, isto é o Natal, não vamos deixar que seja contaminado pelo consumismo e pela indiferença. Os seus símbolos, sobretudo o presépio e a árvore decorada, remetem-nos à certeza que enche o nosso coração de paz, à alegria da Encarnação, a Deus que se torna familiar, vive connosco”, referiu, sublinhando que o “verdadeiro Natal” passa por cuidar dos outros, “especialmente dos mais pobres, dos mais fracos e dos mais frágeis, que a pandemia corre o risco de marginalizar ainda mais”.

 

6. O Papa cumpriu, a 8 de dezembro, na Praça de Espanha, em Roma, a tradicional homenagem à Imaculada Conceição, rezando pelas vítimas das guerras, da crise climática e pelos doentes. “O Papa depositou um cesto de rosas brancas na base da coluna, no cimo da qual se encontra a imagem de Nossa Senhora, pedindo-lhe o milagre da cura para os muitos doentes, para os povos que sofrem duramente com as guerras e a crise climática”, informou o Vaticano. Francisco rezou ainda para que a Virgem Maria “desfaça o coração de pedra daqueles que levantam muros para afastar de si a dor dos outros”. A cerimónia deste ano aconteceu pelas 6h15 locais (menos uma hora em Lisboa), tal como em 2020, de forma privada por causa da pandemia.

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