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“Confio à vossa oração a criança concebida, cuja vida é sagrada e inviolável”
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O Papa Francisco elogiou o compromisso dos católicos na defesa da vida humana. Na semana em que recebeu o presidente alemão, o Papa dirigiu-se de forma particular aos migrantes e assumiu a intenção de visitar Timor-Leste. Vaticano divulgou os números mais recentes da Igreja Católica no mundo.

 

1. O Papa Francisco apelou à defesa das crianças por nascer, associando-se a uma iniciativa da fundação ‘Sim à vida’, da Polónia. Ao saudar os peregrinos de língua polaca, durante a audiência-geral de quarta-feira, 27 de outubro, o Papa referiu que, a pedido da fundação, abençoou os sinos ‘A voz dos nascituros’, que “têm como destino o Equador e a Ucrânia”, esperando “que sejam para essas nações, e para todos, um sinal de compromisso em favor da defesa da vida humana, desde a conceção até à morte natural”. E acrescentou: “Que o seu som anuncie ao mundo o ‘Evangelho da vida’, desperte a consciência dos homens e a memória dos nascituros. Confio à vossa oração a criança concebida, cuja vida é sagrada e inviolável”.

Neste encontro público semanal, na Sala Paulo VI, Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Carta de São Paulo aos Gálatas, para sublinhar a centralidade que a pessoa de Jesus tem na fé cristã, e lembrou que é a “liberdade” do Espírito Santo que muda o coração de cada um e que “guia a Igreja”, para lá de “mandamentos e preceitos”. “Ainda hoje, muitos procuram seguranças religiosas em vez do Deus vivo e verdadeiro, concentrando-se em rituais e preceitos em vez de abraçar o Deus do amor com todo o seu ser. Esta é a tentação dos novos fundamentalistas”, afirmou o Papa, lamentando que a “burocracia” na celebração dos sacramentos continue a impedir “o acesso à graça do Espírito”.

No final da catequese, o Papa Francisco referiu-se, ainda, à Cimeira do Clima, que vai decorrer a partir deste Domingo, na Escócia, saudando de forma especial “os jovens de vários países envolvidos na COP26 de Glasgow”.

 

2. O presidente da Alemanha foi recebido em audiência pelo Papa, esta segunda-feira, 25 de outubro. Segundo o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, Francisco e Frank-Walter Steinmeier abordaram os mais recentes desenvolvimentos políticos na Alemanha, onde, um mês depois das eleições de 26 setembro, decorrem, nesta altura, as negociações para a formação do governo de coligação entre os social-democratas do SPD, o Partido Democrático Liberal (FDP) e os Verdes. Durante a conversa, foram ainda abordadas “questões de interesse recíproco, em particular a questão da migração e algumas situações de conflito internacional, bem como a importância do compromisso multilateral” para se encontrarem soluções, aponta a nota.

Durante aquela manhã, o Papa Francisco tinha também recebido os participantes numa peregrinação ecuménica com origem na Alemanha. Intitulada ‘Com Lutero ao Papa’, a peregrinação incluiu um momento musical que uniu participantes de várias Igrejas. “Cantar une as pessoas. No coro, ninguém está sozinho: é importante escutar os outros. Desejo esta disponibilidade de escuta para a Igreja”, afirmou Francisco, lembrando o processo sinodal que a Igreja Católica está a viver.

 

3. “Nunca vos esqueço” e “oiço os vossos gritos”, garantiu o Papa, aos migrantes do Mediterrâneo. “Exprimo a minha proximidade aos milhares de emigrantes, refugiados e outros necessitados de proteção, na Líbia. Nunca vos esqueço. Oiço os vossos gritos e rezo por vós. Tantos destes homens, mulheres e crianças estão submetidos a uma violência desumana”, afirmou, depois da oração do Angelus, no passado Domingo, 24 de outubro.

Na janela do apartamento pontifício, no Vaticano, Francisco pediu à comunidade internacional que procure uma solução duradoura para os fluxos de migração na Líbia. “Peço, uma vez mais, à comunidade internacional que mantenha a promessa de procurar soluções comuns, concretas e duradouras para a gestão dos fluxos migratórios, na Líbia e em todo o Mediterrâneo. Como sofrem aqueles que são devolvidos à origem. Existem ali verdadeiros campos de concentração”, sublinhou o Papa. Depois das devoluções forçadas, os migrantes ficam em centros de detenção geridos pela Direção de Combate à Migração Ilegal. “Quanto sofrem os que são devolvidos”, alertou Francisco, pedindo “um ponto final ao regresso dos migrantes para países não seguros, dando prioridade ao socorro das vidas humanas no mar, com dispositivos de resgate e desembarque previsíveis”.

O Papa apelou ainda à existência de condições dignas de vida, “com alternativas à detenção, vias regulares de migração e acesso aos procedimentos de asilo”. “Sintamo-nos todos responsáveis por estes nossos irmãos e irmãs, que há demasiado anos são vítimas desta gravíssima situação, e rezemos juntos, por eles, em silêncio”, pediu.

 

4. O Papa anunciou que vai visitar, em dezembro, a Grécia e o Chipre, assumindo também a intenção de visitar Timor-Leste, numa entrevista à agência de notícias argentina Télam. “Sempre pensei que se via o mundo com mais clareza desde a periferia e nos últimos sete anos, como Papa, vi-o com os meus próprios olhos”, referiu Francisco. “De momento tenho em mente duas viagens que ainda não iniciei, que são no Congo e na Hungria”, acrescentou, falando numa “conta por pagar”, em referência à viagem a Papua Nova Guiné e Timor-Leste que foi adiada por causa da pandemia.

A entrevista aborda ainda a próxima cimeira do G20, em Roma, com o Papa a convidar os responsáveis internacionais a “considerar seriamente a relação entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos”, reconhecendo as assimetrias no mundo no acesso aos cuidados de saúde, para melhor superar a pandemia. Francisco espera que o encontro sirva “para diminuir as tensões a nível global”, diante do “agravamento da violência, que apenas provoca mais violência”.

 

5. A Agência Fides, do Vaticano, divulgou os números mais recentes da Igreja Católica no mundo, apontando a um aumento de fiéis de 1,16% em 2019, num total de 1,34 mil milhões de batizados. Os dados, publicados por ocasião do Dia Mundial das Missões, no passado Domingo, 24 de outubro, revelam que os católicos representavam 17,74% da população mundial a 31 de dezembro de 2019, data a que se referem as estatísticas mais recentes recolhidas pela Santa Sé. O aumento do número de batizados é mais significativo em África (mais 8,3 milhões) e na América (mais 5,3 milhões), com a Europa em contraciclo (menos 292 mil católicos).

A percentagem de católicos nos vários continentes é de 63,8% na América, 39,64% na Europa, 26,34% na Oceânia, 19,49% em África e 3,31% na Ásia. Os sacerdotes são 414.336 em todo o mundo, os religiosos não sacerdotes 50.295 e os diáconos permanentes 48.238.

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