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Roma
“Que Nossa Senhora de Fátima nos guie pelo caminho da contínua conversão”
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O Papa Francisco evocou a aparição do 13 de outubro para convidar à recitação diária do terço. Na semana em que teve início o Sínodo sobre a Sinodalidade – que não pode ser uma iniciativa “de fachada”, segundo o Papa – foi notícia que o Papa João Paulo I está a caminho da beatificação e que Francisco considerou “escandaloso” as fortunas gastas em armamento.

 

1. O Papa Francisco evocou a aparição de Nossa Senhora a 13 de outubro, em Fátima. “Que a Bem-aventurada Virgem Maria, de que hoje recordamos as aparições em Fátima, nos guie pelo caminho da contínua conversão e penitência para ir ao encontro de Cristo, sol de justiça. Que a sua luz nos liberte de todo o mal e disperse as trevas deste mundo”, pediu o Papa, no final da audiência-geral de quarta-feira. Na Sala Paulo VI, no Vaticano, Francisco recordou a “última aparição” de 1917, na Cova da Iria. “Confio à celeste Mãe de Deus todos vós, para que vos acompanhe com ternura materna no vosso caminho e seja conforto nas provações da vida”, declarou.

Na saudação aos peregrinos de língua portuguesa, o Papa convidou a reforçar “o sentir e o viver com a Igreja, perseverando na oração diária do terço”. “Podereis assim reunir-vos quotidianamente com a Virgem Mãe, aprendendo com Ela a cooperar plenamente com os desígnios de salvação que Deus tem sobre cada um. Que o Senhor vos abençoe, a vós e aos vossos entes queridos”, concluiu.

Neste encontro público semanal, no dia 13 de outubro, o Papa condenou ainda o uso da violência na história da evangelização, lamentando a falta de respeito por várias culturas, ao longo da história. “Quantos erros foram cometidos na história da evangelização ao querer impor apenas um modelo cultural! Por vezes, nem sequer renunciaram à violência a fim de fazer prevalecer o próprio ponto de vista. Pensemos nas guerras”, referiu, sustentando que esta atitude privou a Igreja de “tantas expressões locais que têm em si as tradições culturais de povos inteiros”. Os católicos, acrescentou, têm o “dever de respeitar a origem cultural de cada pessoa, colocando-a num espaço de liberdade que não seja restringido por qualquer imposição ditada por uma única cultura predominante”. “Católico não é uma denominação sociológica para nos distinguir dos outros cristãos; católico é um adjetivo que significa universal, a catolicidade, a universalidade. Igreja universal, isto é, católica, significa que a Igreja tem em si, na própria natureza, uma abertura a todos os povos e culturas de todos os tempos, pois Cristo nasceu, morreu e ressuscitou para todos”, indicou.

 

2. O Papa Francisco presidiu à Missa de abertura do Sínodo sobre Sinodalidade e pediu que processo sinodal conserve a “dimensão espiritual” e todos sejam escutados. “Nós, que iniciamos este caminho, somos chamados a tornar-nos peritos na arte do encontro; peritos, não na organização de eventos ou na proposta duma reflexão teórica sobre os problemas, mas antes de mais de arranjar tempo para encontrar o Senhor, para dar espaço à oração e adoração”, disse o Papa, no passado Domingo, 10 de outubro, na homilia da Missa. “A Palavra abre-se ao discernimento e ilumina-o, e isso deve orientar o Sínodo, para que não seja uma convenção eclesial, um congresso de estudos ou um congresso político, para que não seja um Parlamento, mas um evento de graça, um processo de cura conduzido pelo Espírito Santo”, sublinhou ainda.

Na Basílica de São Pedro, no Vaticano, Francisco apontou prioridades para o processo sinodal e falou dos três verbos que vão marcar este Sínodo – “encontrar”, “escutar” e “discernir” –, lembrando que o processo implica “caminhar pela mesma estrada, em conjunto”. “Ao abrir este percurso sinodal, comecemos todos (Papa, bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, irmãs e irmãos leigos) por nos interrogar: nós, comunidade cristã, encarnamos o estilo de Deus, que caminha na história e partilha as vicissitudes da humanidade?”, perguntou o Papa, acrescentando: “Permitimos que as pessoas se expressem, caminhem na fé – mesmo se têm percursos de vida difíceis –, contribuam para a vida da comunidade sem serem estorvadas, rejeitadas ou julgadas?”. Francisco admitiu igualmente que aprender a escuta recíproca, entre bispos, padres, religiosos e leigos, é “um exercício lento, talvez cansativo”, mas disse que é necessário evitar “respostas artificiais e superficiais”.

 

3. O Papa apelou à participação de todos os cristãos no caminho sinodal iniciado a 9 de outubro e que culmina em 2023. O pedido foi feito durante o encontro de reflexão que marca o início dos trabalhos em Roma. Francisco falou do Sínodo como uma “grande oportunidade para a conversão pastoral em chave missionária e também ecuménica”, mas alertou para alguns riscos e disse que esta não pode ser uma “iniciativa de fachada” ou uma espécie de “grupo de estudo”. “O Sínodo não é um Parlamento, um inquérito de opinião. O Sínodo é um momento eclesial, o protagonista do Sínodo é o Espírito Santo”, afirmou o Papa, na Sala do Sínodo, no Vaticano, sublinhando a importância de se evitar que esta acabe por ser uma iniciativa apenas formal, intelectual. Não se pode cair na “tentação do imobilismo” e do “sempre se fez assim”, que considerou “um veneno na vida da Igreja”, porque “o risco é que no fim se adotem soluções velhas para problemas novos”. A intervenção do Papa concluiu-se com uma oração ao Espírito Santo, por uma “Igreja diferente”, aberta à “novidade que Deus lhe quer sugerir”.

Com o tema ‘Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão’, a 16.ª assembleia geral do Sínodo dos Bispos vai decorrer até outubro de 2023.

 

4. O Papa abriu caminho à beatificação de João Paulo I (1912-1978). De acordo com o boletim diário da Santa Sé, Francisco autorizou a publicação do decreto que reconhece o milagre atribuído à intercessão do anterior romano pontífice, que foi Papa durante 33 dias.

D. Albino Luciani era Patriarca de Veneza quando foi eleito Papa, a 26 de agosto de 1978, tendo falecido a 28 de setembro desse ano. Assumiu o nome de João Paulo I, mas ficou conhecido como o ‘Papa do Sorriso’.

 

5. O Papa lamentou que, “ainda hoje, depois de duas guerras mundiais cruéis e de muitas guerras regionais que destruíram povos e países”, haja Estados que “gastam enormes somas de dinheiro em armamento”. Francisco considerou mesmo “escandaloso” que os países gastem “enormes somas de dinheiro” em armamentos enquanto proclamam a paz nas cimeiras internacionais. Numa mensagem por ocasião da 60.ª Marcha pela Paz, que percorreu as cidades italianas de Assis e Perugia, o Papa sublinhou que “o cuidado é o contrário da indiferença, do descarte, de violar a dignidade do próximo, quer dizer, dessa ‘anticultura’ baseada na violência e na guerra”.

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